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Eu tenho sentido medo

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Eu tenho sentido medo, receio de ser quem eu sou e não é por minha causa, mas pelo que o mundo se tornou. É toda essa intolerância enquanto lutamos por espaço, é receber um tapa quando se espera um abraço. Queremos algo tão básico, reivindicamos igualdade! Sabemos da nossa grandeza, mas nos tratam com inferioridade.

Sim, eu sinto medo, medo de andar pela rua quando, independente de roupa, tantos homens me querem nua.
Tenho medo de assédio, medo de ser perseguida, seja na rua deserta ou na movimentada avenida. Esse medo não é à toa, sim, ele tem fundamento. Mulheres são violentadas e assassinadas a todo momento.
Pode ser eu, você ou ela, mulher, trans ou travesti, basta só ser feminina que eles desdenham de ti. São milhões de Dandaras, de Elisas e Marias, é a violência que não para e massacra todos os dias.

Pois é, eu tenho medo, medo porque sou cobrada e, se eu não sigo um padrão, sou uma mulher desleixada. Tenho medo de tanta coisa, até de quem se diz direito, mas quando me vê na rua não tem o mínimo de respeito. Sim, eu tenho medo, mas não me deixo abater, porque há em mim uma força a qual eu tive que aprender.
Apesar de todas as feras que as mulheres têm enfrentado, nós nunca desistimos de ver as coisas por outro lado. Eu posso até ter medo e carregá-lo como bagagem, mas por tudo o que já enfrentei, d uma coisa eu sei: jamais me faltou coragem.

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