Postado no dia Dezembro 7, 2018

Ah, se eu pudesse falar
Se eu tivesse como dizer
Sobre todo o medo que eu sinto
Sem ninguém para me proteger
Se eu pudesse me fazer ouvir
Eu diria sobre a minha dor
De ganhar agressão e desprezo
Quando eu só queria amor.
Somos eu e mais tantos outros
Vagando perdidos na rua
Sonhando com casa e comida
Enquanto uivamos pra lua.
Ah, se eu pudesse mostrar
E me fazer entender
Que o mais importante de tudo
É um lar para a gente viver.
É ficar sem ser enxotado
É dormir num lugar quentinho
E ao invés de ser espancado
Ser coberto de amor e carinho.
Ah, como eu queria
Que os humanos pudessem sentir
A dor que sentimos na pele
Quando alguém vem nos agredir
Nossa história é ignorada
Muitos nascem na rua, largados
Outros até ganham um lar,
Mas depois são abandonados.
Catamos comida no lixo
Para aliviar nossa fome
Quem nos apedreja não sabe
Do vazio que nos consome.
Nos olham com tanto desprezo
Como se esperassem o mal
E esquecem que o ser humano
Também faz parte do reino animal.
Vagamos pedindo comida,
Qualquer resto pra nos saciar
E mesmo havendo abundância
Poucos vêm nos alimentar.
Não entendo de quase nada
Nem sei por que eu existo
Minha função é apenas sofrer?
Alguém pode me explicar isto?
O que sei é que estamos aqui
E continuamos morrendo
Agredidos injustamente
Por quem deveria estar nos defendendo.
Então, eu lhes pergunto:
Que prazer há em maltratar
E sem nenhuma chance de defesa
Cruelmente nos assassinar?
Que mal tão grande fazemos?
De onde vem esse ódio constante?
Não há nenhuma compaixão
Nem que seja assim, só um restante?
Por favor, humano, repense,
Remova esse seu egoísmo
Porque entre todas as espécies
Não há de haver grande abismo.
O mesmo que criou você
Criou a nós, os animais,
Não somos lixo descartável,
Somos seres especiais.
E se alguém disso duvida
Apenas experimente
Nos dar casa, carinho e comida
E em troca, por toda a vida,
Serei mais leal que muita gente.

(Bia Lopes)

 

Bia Lopes Bia Lopes é publicitária com 9 anos de atuação como coordenadora de marketing em assessoria de comunicação. Cordelista, publicou a trilogia Ana Lísias em Cordel, obra dedicada ao público feminino. Também formada em Gestão de Recursos Humanos e trabalha com desenvolvimento humano por meio de palestras, minicursos e capacitações. Ativista da causa animal e apaixonada pela vida. Nas horas vagas, gosta de observar o mundo e descreve-lo neste blog.
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