Postado no dia Dezembro 4, 2015

Alô, terráqueos. Aqui quem vos fala é outra habitante da Terra, mas que às vezes tem a impressão de pertencer a algum outro planeta. Venho adiando há tempos essa nossa conversa, mas hoje resolvi falar. Não dá mais para esperar. Tem coisa demais acontecendo e gente demais se desamando. Sabe, terráqueo, não estou tomando essa iniciativa por me considerar melhor do que você. Mas também não sou pior. Quero falar aqui de igual pra igual, porque estamos no mesmo barco e eu tenho sempre a impressão de que ele está prestes a afundar. Pior do que isso: chego a imaginar que, caso tal fato aconteça, ao invés de nadarmos juntos, afogaremos uns aos outros. E não, não é exagero.

O que temos feito todos os dias aos nossos semelhantes? O que temos feito a este planeta e a todos os seres que nele habitam? Qual o nosso propósito aqui? Se não fomos criados para a autodestruição, por que a praticamos diariamente? Eu queria entender tudo isso. Ou melhor, não, não queria. O que eu queria mesmo era poder mudar essa realidade. Alguém disse que o mundo muda quando a gente muda. Mas não é só isso, sabe? Eu não tenho poder sobre mais ninguém, além de mim mesma. Só posso decidir por mim. Mas posso apelar a você, que pretende continuar morando aqui por muito tempo e gostaria de deixar algo de bom para quem vem depois.

Todos os dias  me pergunto como seres da mesma espécie podem se odiar tanto. Como podem se agredir, se desrespeitar e causar tanto mal aos seus semelhantes? Tudo o que temos feito neste planeta, salvo algumas exceções, é agir de acordo com o nosso ego. E para massageá-lo somos capazes de matar, roubar, praticar outras tantas formas de agressão e ainda fingir que somos as vítimas. Mas não, não somos. Basta olhar ao redor e ver o reflexo de tudo o que temos feito por aqui. Contra a natureza e contra nós mesmos. Causamos as guerras para fazer valer as nossas opiniões, para ter mais dinheiro, mais terra, mais poder. Matamos crianças, idosos, jovens, tiramos a vida de inocentes, destruímos famílias e dizimamos populações inteiras com o argumento vago de que “era necessário”. Dividimo-nos em países, classes e religiões e os usamos como justificativa para todas as nossas maldades. Não satisfeitos, resolvemos destruir também todos os demais seres vivos deste planeta. Aliás, iniciamos um processo de destruição da Terra. E pouca gente se dá conta, mas o plano tá dando muito certo, viu?

Um dentista americano matou um leão no Zimbábue por pura diversão. O animal sofreu agonizando por horas, até receber os “tiros de misericórdia”. E o humano exibiu orgulhoso a sua caça, como se aquele fosse um ato de heroísmo. A Samarco, por ganância, negligenciou os cuidados com o meio ambiente e pouco se lixou para a prevenção de acidentes. O resultado todos vocês já sabem. Jihadistas mataram pessoas que nunca viram na vida, mas que cometeram um erro grave: não eram da sua religião. E todos os dias em todos os lugares do mundo tragédias acontecem porque nós permitimos, consentimos e financiamos. Mas, principalmente, porque não sabemos amar. Desaprendemos o verdadeiro significado da palavra amor. O leão Cecil, as vítimas de Mariana e também as da França, entre as tantas no mundo, também são nossa responsabilidade.

Sim, nós financiamos a caça ilegal, assim como financiamos a Samarco. O metal que vem das mineradoras está em nossos carros, celulares e acessórios. Somos nós que estamos sempre trocando de celular, querendo o carro do ano e dando ibope para gente fútil, como o dentista americano. E quem paga a conta? O planeta, claro. Porque o amor ficou em último lugar. Antes de amar, a gente aprende a conjugar primeiro o verbo ter. E o que temos pra hoje é um mundo desgastado, cansado, destruído.

Sabe, terráqueo, eu to muito desacreditada da gente. As estatísticas, as notícias, os fatos e o que eu tenho visto é mesmo desolador. Mas algo me diz para não desistir agora. Ainda não. Dá tempo reverter tudo isso, por pior que as coisas estejam. Não sou de entregar os pontos assim, facilmente. Sou tão terráquea quanto você, este planeta também é meu. Sim, nós podemos mudar. Mas a mudança só será possível se fizermos isso juntos. Esta causa não é só minha. Ela é de toda essa gente que sonha com um mundo melhor, com uma vida melhor. É de quem acredita e faz a sua parte. A causa é de todos os que também se sentem injustiçados com essa luta de egos, com a destruição injustificável e com a maldade sem limites. Ainda existe gente assim, espalhada por aí. E esses são os verdadeiros heróis.

Não dá pra ser meio termo. O muro já caiu. Só há dois lados: o de quem agride e o de quem quer dar a volta por cima. A você, que está disposto a mudar suas atitudes pessoais em prol de uma causa infinitamente maior, a Terra agradece. Comecemos a espalhar amor em todo e qualquer lugar que a gente for. Somente um sentimento tão sublime pode ser capaz de regenerar as feridas que causamos uns aos outros ao longo da história. Mais amor, por favor. Ao planeta, aos outros, a nós mesmos. Quanto a você, que leu esse texto e simplesmente deu de ombros, apenas uma pergunta: já acabou, terráqueo? Sinceramente, espero que sim. Porque se você não acabar, será o fim da humanidade. Pior do que isso: será o fim do nosso planeta.

Bia Lopes Bia Lopes é publicitária com 9 anos de atuação como coordenadora de marketing em assessoria de comunicação. Cordelista, publicou a trilogia Ana Lísias em Cordel, obra dedicada ao público feminino. Também formada em Gestão de Recursos Humanos e trabalha com desenvolvimento humano por meio de palestras, minicursos e capacitações. Ativista da causa animal e apaixonada pela vida. Nas horas vagas, gosta de observar o mundo e descreve-lo neste blog.
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