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Acabou. E agora?

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Acabou. É o fim. E eu sei que foi a decisão mais sensata, mas ainda assim é difícil aceitar. Estou sem chão. Sinto-me sem forças. É como se um enorme pedaço de mim tivesse sido arrancado de repente, sem aviso, sem anestesia, sem piedade. E como essa dor incomoda!

Tudo o que tenho feito é me dedicar a essa relação. Fiz tudo o que podia, o que estava e o que não estava ao meu alcance. Fui amiga, amante, companheira, fui tudo o que você quis. Segurei as pontas, aguentei a barra, tudo pra te ter ao meu lado. Cheguei a me anular achando que isso te faria ficar, mas não. Não deu. E no fim das contas percebi que não importa o que a gente faça, ninguém pode impedir o outro de ir embora. E ninguém manda nos sentimentos, nem nos próprios, nem nos dos outros.

Mas… E agora? O que eu faço com o tempo desperdiçado, com o amor dedicado, com o vazio que restou? Pois é. Descobri que não há o que fazer. Não posso insistir em algo que acabou antes mesmo que eu me desse conta. O fato é que algumas coisas terminam e a gente permanece ali, se recusa a sair, como se isso prolongasse o tempo e de alguma maneira aliviasse a nossa dor. Bobagem, a dor permanece. E sabem por que ela não vai embora? Porque nós também nos recusamos a ir.

Tenho sentido sua falta. E como sinto! Todos os dias, em algum momento, eu paro e vejo você. Às vezes te encontro naquela xícara de café no canto do armário ou na toalha pendurada no varal. Ainda ouço as broncas, os sermões e me incomodo com a sua mania de sempre ter conselhos e soluções pra tudo, como se eu sozinha fosse um desastre ambulante e não pudesse dar conta da minha própria vida. Mas, agora que você se foi, percebo que é isso o que preciso fazer: viver. Viver por minha conta. Correr meus próprios riscos, cometer meus próprios erros. Desocupar. O armário e o coração. E recomeçar.

Eu poderia sair à procura de alguém ou entrar nesses aplicativos de relacionamento que viraram febre de uns tempos pra cá. Dizem que só se cura um amor com outro, não é? Mas não, não farei isso. Não seria justo com a outra pessoa, nem comigo. Acho que a gente precisa encerrar o ciclo por completo para, só então, começar outro. E não estou à procura de alguém, mas de mim mesma. Até porque não me sentiria bem procurando pessoas como se procura roupa em um shopping, escolhendo a aparência, analisando as informações de um desconhecido para ver se vale a pena investir. Talvez eu me sentisse como em um grande mercado, onde os sentimentos e pessoas se tornaram produtos expostos em uma vitrine e dependem da aprovação de gente que nunca se viu na vida. Há quem goste, mas não é o meu caso. Neste momento, perdida como estou, não preciso encontrar alguém. Preciso me encontrar. E pra que isso aconteça, preciso tomar uma decisão. Nem me prender ao passado, nem soltar as mãos do futuro, apenas atravessar.

Prefiro ficar aqui, sentir a dor, viver a ressaca desse amor. Acho necessário. Deixar-me consumir por essa ausência, por esse nada que fica sempre que alguém que amamos se vai. Se a gente não sente até o fim, não consegue virar a página. Não quero pular etapas, quero passar por cada uma delas, uma a uma, do jeito que tem que ser. Porque tudo na vida é assim. Tudo é finito, tudo acaba, se dissipa. É o tempo de escola, o namoro, a faculdade, uma amizade que já não ia bem, o cachorrinho que se foi e deixou saudade. A única coisa infinita é o tempo. E é ele que nos traz o melhor presente: a chance permanente de recomeçar. É ele que abre as novas portas, que prepara novas vidas, novos ciclos, novas experiências. Um novo ano.

A vida se renova a cada segundo. O ano é novo todo dia. E se a gente não se renova também, fica pra trás. Que nunca percamos a capacidade de recomeçar. Que saibamos nos reerguer a cada tropeçar. Sempre mais fortes, mais inteiros, mais nós mesmos. E que nada que ficou para trás desvie nosso olhar desse momento tão importante ao qual devidamente chamamos de presente. Acabou? (Re)comece. Um brinde à renovação. Tim-tim.

6 thoughts on “Acabou. E agora?

    1. Obrigada, Lu! Que bom que gostou! Eu acredito que a gente precise mesmo estar sempre recomeçando, se renovando, indo adiante. Desapegar do que faz mal e começar um novo caminho. :)

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