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A síntese da felicidade

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Há alguns dias um amigo me sugeriu escrever sobre felicidade. Eu adorei a ideia, porque estava realmente vivenciando aquilo. Sentia-me feliz, mesmo tendo ainda quase todos os velhos problemas de sempre e inclusive com a chegada de alguns novos. Às vezes não é preciso motivos, não é? Eu não tinha nenhum em especial, apenas “estava”.  Mas a vida deu algumas reviravoltas e eu fui pega de surpresa. Da noite para o dia as coisas mudaram. Meus sentimentos também. E o texto sobre felicidade precisou ser adiado, porque não sei escrever sobre algo que não estou sentindo. E não seria correto tentar explicar por a + b um sentimento que eu, sinceramente, ainda estou longe de compreender.

Ainda tentando seguir os conselhos do meu amigo, assisti a um vídeo sobre o tema. Nele, a palestrante falava sobre a nossa responsabilidade diante das nossas próprias decisões e de como cabe a nós a decisão de ser feliz. Segundo ela, a felicidade é algo que decidimos. Após quase uma hora ouvindo atentamente aquelas observações e vendo aquela mulher falar com tanta propriedade sobre esse sentimento (ou estado de espírito, como queiram chamar), lembrei das inúmeras vezes em que saí gritando aos quatro cantos do mundo que a felicidade só depende de nós. E me senti displicente. Com os outros e comigo mesma.

Há muitas teorias e explicações sobre a felicidade e é muito fácil encontrá-las por aí. A gente lê, ouve, vê, tenta absorver e aplicar todas elas, como se procurássemos desesperadamente a fórmula da vida plena. Ou a receita de vida feliz. Mas, infelizmente, não é assim. Não é como um curso que a gente faz, recebe um diploma e ao final está apto a sair por aí esbanjando esse sentimento. E quem dera fosse assim.

Felicidade é algo tão complexo e depende de tantos fatores (que muitas vezes estão bem além de nós mesmos) que hoje eu me julgaria irresponsável se saísse por aí repetindo o que eu costumava afirmar sobre isso. É claro que ela depende muito de você, mas não só de você. Porque todos estamos sujeitos a influências externas. E muitas vezes essas influências têm grande peso sobre nós.

A gente pode, num piscar de olhos, decidir ser feliz? Pode, claro. Mas aí acontece uma tragédia familiar ou algo muito ruim envolvendo seus entes queridos e as coisas não têm previsão para se resolver. Você se vê dentro daquela situação, com a maior parte das pessoas que você ama se sentindo infelizes, amedrontadas, desesperançosas. E a felicidade, onde fica?

Não, eu não posso compactuar com isso. Eu não posso simplesmente dizer ‘olha gente, as coisas estão péssimas, mas e daí? Temos que estar felizes!’ Seria muita hipocrisia da minha parte dizer que sou feliz acima de tudo. Porque eu não sou. Mas também não sou infeliz. Sou humana, gente. Carrego dentro de mim todos os sentimentos do mundo e alguns deles, em determinados momentos, são mais alimentados do que outros. Um dia somos felizes, em outros, tristes; em alguns outros somos esperança, fé, paz. E até desilusão. Mas somos esse turbilhão e não uma coisa só.

Eu não me cobro a felicidade, porque eu sei que é um processo (e também uma questão de momento). O que eu tenho me cobrado na maior parte das vezes é ser forte. Sim, é nisso que eu acredito – que precisamos de força para enfrentar as adversidades, encarar os problemas de frente e aprender a lidar com eles. Porque mesmo tendo nossos momentos de fraqueza, é a força que nos permite levantar depois de uma queda terrível e continuar caminhando. Só ela nos dá o combustível necessário para todo e qualquer recomeço. É a força que nos permite seguir em frente mesmo com toda a nossa fragilidade. E talvez seja esse o caminho mais próximo da felicidade.

2 thoughts on “A síntese da felicidade

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