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Quanto vale o conteúdo?

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Esses dias conheci um cara pela Internet. Não, não foi por nenhum desses aplicativos nem sites de relacionamento, foi por coincidência mesmo. Estávamos no mesmo grupo, trocamos informações, a conversa fluiu e acabamos salvando o contato um do outro. O papo tava bem bacana, muitos interesses em comum, muito bom humor, tudo fluindo bem, até que veio o pedido: “posso ver uma foto sua de corpo?” (Só havíamos nos falado pelo WhatsApp, onde geralmente as fotos são no estilo 3×4.)

Homens, não há nada mais broxante para uma mulher do que um pedido desses no meio de uma conversa que está fluindo tão bem intelectualmente. É claro que gostamos de nos sentir atraentes, mas a inteligência é uma ótima arma de sedução e a maioria de nós quer ser percebida por ela e não pelo corpo.

Eu sei que hoje é bem comum as pessoas trocarem fotos íntimas, mas eu tenho uma certa dificuldade em compreender esse tipo de coisa. Quando alguém faz um pedido assim eu me sinto como um produto exposto numa estante virtual, esperando que alguém compre pela embalagem e que por meio dela julgue o conteúdo. O problema é que eu não sou um produto de supermercado, nem de qualquer outro estabelecimento. Como diria Cassia Eller, “sou minha, só minha e não de quem quiser”. Eu não tô colocando meu corpo à disposição. Ele é parte de mim, é meu, sou eu. E eu me dou valor, meu bem. Não estou aqui para ser objeto de ninguém.

Porém, isso me fez pensar no quanto a internet se tornou um mercado de corpos. O problema é que não é de objetos que estamos falando, mas de gente. Somos nós nessas vitrines virtuais. É o nosso corpo que está em questão, é ele que encanta ou desencanta o “cliente”. O problema é que não estamos à venda.

É muito esquisito pensar que para alguém se interessar por você não baste haver afinidades, uma boa conversa e uma certa compatibilidade de ideias. A parte física deveria ser uma consequência, não? Você se encanta pelo que a pessoa é, pelos momentos bacanas que vocês têm juntos, pela companhia, por detalhes específicos do comportamento e até por aquela mania incorrigível. Aí sim, você quer estar mais perto, vocês se sentem atraídos e já se gostam o suficiente pra dar o passo seguinte – o da intimidade (o que pode levar um certo tempo também, embora todo mundo hoje ande tão apressadinho). E se vocês já estão envolvidos emocionalmente, o corpo é a última coisa que vai importar. Quando a gente gosta, não liga para aquela gordurinha a mais, celulite, estria ou o que for. O que interessa de verdade é o amor.

Pois bem, quando a conversa começa a tomar esse rumo, eu desanimo. De verdade. Se há algo que me incomoda é ser avaliada superficialmente. E olha que tô numa fase de autoestima ótima, super satisfeita com meu corpo e cuidando bastante da minha saúde. Mas o lado de dentro sempre fala mais alto. Tenho tanta coisa bacana pra alguém conhecer e ele vai se preocupar justamente com o mais superficial? Não me leve a mal, mas assim não dá. Não é você que escolhe me levar. Quer saber? No fim das contas sou eu que escolho se quero ou não você. Então, o fato é que a escolha nunca será pelo corpo e sim pelo coração.

2 thoughts on “Quanto vale o conteúdo?

  1. Aconteceu comigo tb, depois de muita conversa depois de varios dias atraves de hangouts , ele me mandou fotos dele e se declarou padre , inclusive mandou fotos vestido como tal e fui verificar se ele tinha dito a verdade, e realmente confirmei o que ele havia me dito, sim , era um padre , e me confessou que gostava de ter conversas intimas e principalmente de ver fotos de mulheres nuas, e me pediu alem de segredo, que mandasse fotos nuas pra ele, e em seguida me mandou fotos dele nu e todas as que vcs puderem imaginar, é um padre de 60 anos, me deu vontade de tornar tudo isso publico , mas deixei por conta de deus , e escrevi um email arrazando com ele . faz ideia disso ? em quem mais podemos acreditar ? só em deus e mais ninguem .

    1. Caramba, Fernanda! Que cara de pau esse sujeito! Você fez certo em se afastar. Infelizmente no mundo virtual estamos mais vulneráveis a esse tipo de situação com muito mais frequência do que na vida real. Triste realidade. Obrigada por ler e participar.

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