Postado no dia Julho 12, 2019

Se há um assunto que vem atormentando uma certa turma é essa história de passar dos 30 anos e ainda não ter saído da casa dos pais. Mas existe alguma regra que determine isso? Qual será o motivo de tanta polêmica? Afinal, qual é o momento certo para sair de casa e conquistar a independência?

Durante alguns dias conversei com amigos, pessoas próximas e alguns conhecidos. Li artigos, fiz enquetes, ouvi desabafos, tudo para tentar entender por que parece ser esse um dos maiores dilemas da turma nascida de 88 pra lá. E embora não tenha chegado a uma resposta pronta e definitiva, quero compartilhar com vocês o que mais me chamou a atenção nessa pesquisa.

30 é a idade da maturidade

Será? Bom, muita gente mais jovem considera alguém de 30 um “coroa”, essa é a verdade. O fato é que essa idade chega para todo mundo, quer você queira, quer não. Faz parte do ciclo da vida.

O que as pessoas não imaginam é que você vai sair da casa dos 20, a fase adulta jovem, quando você é convidado a se tornar um adulto e assumir algumas responsabilidades, embora você ainda esteja com um pé lá na adolescência, para cair de cabeça na casa dos 30. E aí?

Criou-se um mito na cabeça de muita gente de que você vai dormir jovem e acordar velho. Dormi com 29 e acordei com 30, mas espera, cadê as rugas, o cabelo grisalho, o peso da idade, etc, etc. Sinto dizer, mas é só uma idade. Se seu cabelo está grisalho, meu bem, os fios brancos já tinham começado a se instalar por aí há algum tempo, lá nos 20 e poucos mesmo. Rugas? Elas se formam ao longo da vida e não da noite para o dia. Pois é, desculpe decepcioná-lo.

Porém, a maturidade, essa vem com o tempo e o mínimo que se espera é que ao fazer 30 anos você pelo menos já seja capaz de tomar as próprias decisões, já tenha feito algum planejamento de vida (e esteja correndo atrás para realizar), já tenha assumido seu relacionamento, casado, tido filhos… Opa! Não, ei, espera! Dá pra fazer tudo isso aos 20 e poucos anos?

O que se faz na casa dos 20

Para entender onde começa todo esse tabu é preciso entender também que durante muito tempo pessoas muito jovens assumiam grandes responsabilidades. O trabalho começava muito cedo há algumas décadas, inclusive muita gente precisou trabalhar ainda criança, quando não havia leis de proteção à infância e as crianças eram consideradas apenas uma versão em miniatura dos adultos.

Com essa cultura as cobranças começavam cedo e aí a gente precisa tocar num ponto muito comum – o amadurecimento precoce. Crianças ficavam em casa tomando conta dos irmãos, trabalhavam fora, cozinhavam, resolviam coisas. Brincar era um sonho distante para alguns. Para outros, só quando sobrava tempo.

Em seguida vinha a fase da adolescência e, pasme, muita gente, em especial às mulheres, acabava casando cedo (muitas vezes com alguém que sequer conheciam), tendo que assumir mais responsabilidades e entrar precocemente na vida adulta. Ninguém questionava porque era comum. Ninguém reclamava porque não dava tempo.

Esses jovens não tinham tempo de parar e dizer ‘nossa, casei muito cedo, eu precisava estudar, quero construir uma carreira de sucesso, preciso namorar, ir ao cinema, conhecer gente no Tinder, ver série na Netflix (brincadeira, nem existia, né?) e fazer coisas que as pessoas jovens fazem‘. Eles nem sabiam que pessoas jovens tinham rotina de pessoas jovens. Eles só tinham responsabilidades.

Hoje a casa dos 20 é o período de focar na vida acadêmica, viajar, curtir a vida, planejar o futuro, namorar bastante (às vezes por anos a fio). Ganhamos liberdade para viver, viver de verdade, para reclamar, bater o pé e dizer ‘quero isso pra minha vida‘ ou ‘não quero isso de jeito nenhum‘. Traçamos o caminho que queremos e abrimos mão de tudo o que não gostamos. Temos opção. Aliás, temos várias opções.

Se os tempos mudaram, por que o tabu permanece?

Tudo o que recebemos hoje faz parte de uma herança cultural (que já foi inclusive bastante modificada, pasme!). Pela grande responsabilidade que os jovens recebiam em tempos passados, permaneceu conosco a ideia de que há uma idade certa para tudo, inclusive para sair de casa. Só que não há. Ter 30 anos não é mais sinônimo de velhice. Ou você se sente velho?

Porém, continuamos sendo cobrados por pessoas que ainda vivem os antigos conceitos e não se questionam por que ainda os vivem, apenas não conseguem lidar com a mudança ou aceitar que ela significa algo benéfico. E aí o conceito de que precisamos casar cedo, precisamos ter filhos, sair de casa, conquistar a independência, etc vai se perpetuando, mesmo com toda essa virada de comportamento das novas gerações.

E se essa é uma herança de muito tempo, então bote aí mais tempo pra coisa melhorar, afinal é um processo de desconstrução e isso não acontece com tanta facilidade como a gente gostaria.

Qual a idade certa para sair de casa?

Essa pergunta é mais ou menos como querer saber que tipo de cobertura quero no meu bolo. A resposta dificilmente será igual à sua. Primeiro, ninguém é obrigado a sair de casa, diga-se de passagem. Ninguém é obrigado a nada.

Tudo é muito relativo e algumas decisões podem variar de acordo com a sua experiência, seus sonhos, anseios, sua educação e cultura familiar, sua convivência com os seus e muitas outras coisas. Por isso mesmo é complicado dizer que existe uma idade certa: porque ela não existe. Então tudo bem ter 30 anos e ainda estar no mesmo lugar. Relaxe.

Algumas pessoas se sentem incomodadas morando com os pais, querem privacidade, não gostam da cobrança e não se sentem à vontade. Para elas é primordial sair de casa e por isso elas batalham para conseguir isso o quanto antes. Para outras, continuar com os pais é tranquilo, a convivência é pacífica, divertida, leve, há compreensão, colaboração, enfim, sair pra quê e por quê?

Outras pessoas não saem de casa por terem grandes responsabilidades com a família e se sentirem presas a isso. Há também as que ainda não conseguiram se firmar na vida, não estão empregadas ou não se sentem seguras o suficiente para assumir uma responsabilidade tão grande.

Já imaginou se para cada uma delas existisse uma idade certa? A quantidade de pessoas infelizes e sobrecarregadas no mundo seria inimaginável. Ainda bem que somos livres para tomar nossas próprias decisões, né?

Quem cobra mais, você mesmo ou a sociedade?

A gente costuma dizer que se sente cobrada pela sociedade, mas em um grande número de vezes vi pessoas cobrando a si mesmas apenas por compararem suas vidas às dos outros e se acharem inferiores. E isso é muito complicado. A vida não é uma competição.

Você precisa estar bem resolvido consigo, com a sua decisão. Você quer sair de casa? Você acha necessário partir para uma vida independente? Mas você acha mesmo ou tá de carona na opinião de alguém?

É preciso muita cautela para saber até que ponto você está sendo influenciado pela opinião de terceiros. Por isso, sempre digo que você deve saber o que quer e deixar os outros dizerem o que quiserem. A vida é individual, ninguém vive a sua por você. Ninguém sabe o que você pensa, sente, passa. Como outra pessoa pode saber o que é melhor pra você?

Portanto, pare de se cobrar e comece a refletir sobre o que você quer. Decida. E se imponha. Imponha a sua decisão. Vale muito mais viver o que você escolheu pra si. O que é bom para outra pessoa pode ser péssimo para você. Não se compare, não se cobre, não se subestime. Faça suas escolhas e assuma a responsabilidade por elas. Aliás, seja feliz com o que você escolheu ser. Antes ou depois dos 30 anos é você quem deve escolher.

E você, ainda mora com os pais? Considera isso algo negativo? Deixa aqui seu comentário, vamos trocar essa experiência! Ah, e se você curtiu o texto e acha que aquela sua amiga tá super precisando dessa leitura, compartilha esse post com ela!

Por Bia Lopes.

Bia Lopes Bia Lopes é publicitária com 9 anos de atuação como coordenadora de marketing em assessoria de comunicação. Cordelista, publicou a trilogia Ana Lísias em Cordel, obra dedicada ao público feminino. Também formada em Gestão de Recursos Humanos e trabalha com desenvolvimento humano por meio de palestras, minicursos e capacitações. Ativista da causa animal e apaixonada pela vida. Nas horas vagas, gosta de observar o mundo e descreve-lo neste blog.
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