Postado no dia Novembro 8, 2019

Liberdade, palavra-chave para a conquista de tudo aquilo que antes era considerado impossível, proibido ou sequer imaginado. Hoje muito se fala em liberdade, em empoderamento feminino e há muitas vertentes do movimento, das discussões e reflexões. Vivemos uma era em que (finalmente) reconheceram nosso direito de votar, trabalhar, liderar e protagonizar a nossa própria história. Mas será que está sendo assim tão fácil? Será que na era da informação as coisas fluem como imaginamos? Vamos refletir um pouquinho sobre isso? Vem comigo!

Prisões invisíveis

Talvez muitas mulheres ainda sequer tenham se dado conta, mas vivemos em prisões pra lá de invisíveis. Por mais que tenhamos conquistado uma certa liberdade, a sociedade ainda é machista. Ou seja: há coisas que os homens fazem com muita tranquilidade/facilidade, que nós, mulheres, teremos de enfrentar um turbilhão para conseguir. E não são coisas absurdas, são coisas simples, comuns, que acontecem todos os dias. Quer alguns exemplos? Vamos lá.

Ficar com quem quiser sem compromisso

Minha feelha, isso é praticamente tomar o suco da confusão. Enquanto os homens podem sapatear em cima das mulheres tendo orgulho quando perdem as contas de com quantas ficaram, para nós, mulheres, trocar de par com uma certa frequência agrega alguns títulos que, se você não estiver mesmo preparada, vai te fazer se sentir muito mais do que ofendida. Mas por que será que eles podem e nós não?

Caminhar sozinha na rua 

Principalmente à noite ou em lugares mais desertos. Para fazer isso é preciso enfrentar uma série de medos, fobias, riscos, enfim, coisas que até parece que já nos acostumamos (mas não deveríamos). Para uma sociedade machista, mulher andando na rua sozinha “está pedindo para ser assediada, agredida, estuprada”. “Quem mandou andar sozinha?” E é incrível como as pessoas não têm a menor noção do quanto é doentio imaginar que o fato de uma mulher andar sozinha é um convite à violência. Que tipo de homem não consegue olhar para uma mulher e respeitá-la como dona de si mesma, de seu corpo, de sua vida?

Ficar solteira

Mulher solteira depois de uma certa idade é sinônimo de problema, né? Claro que não! Mas infelizmente ainda somos cobradas por não termos casado, não estarmos namorando, não apresentarmos alguém à família e à sociedade. Quase ninguém percebe que hoje podemos sim, escolher ficar sozinhas ao invés de encarar um relacionamento forçado, sem sentimento, abusivo ou por convenção. Quantas mulheres do passado queriam ter tido essa opção, mas tinham medo da exclusão e até da necessidade? Sim, porque mulher não podia trabalhar. Ser financeiramente dependente de um homem era não só normal, como praticamente obrigatório. Triste, né?

Ser dona da própria vida

Que afronta, uma mulher dona da própria vida! Pois é, ser dona de si é mesmo um afronta. Decidir por si própria, pelas próprias ideias, escolher o próprio caminho… Enquanto algumas pessoas admiram esse empoderamento, outras apontam o dedo julgando. Imagine que afronta uma mulher decidindo o que fazer com a vida dela! E acaba sendo mesmo, minhas amigas. Só a gente sabe o quanto isso nos custa. Só nós sabemos a dificuldade que é chegar ao ponto de não darmos ouvidos às imposições, de denunciarmos às violências, de não abrirmos mão do nosso lugar ao sol. Mas como é bom ter esse espaço!

Asas pra que te quero

Depois de entender o quanto custa a nossa liberdade, é importante que saibamos o que fazer com ela. Para muitas de nós, principalmente para as mais jovens ou que cresceram em famílias cuja educação foi menos rígida e machista, é até menos complicado assumir o papel de mulher livre. Mas imagine alguém que cresceu no patriarcado, foi proibida de trabalhar, de estudar, de sair, de construir vínculos sociais, de tomar as próprias decisões e até mesmo de passar algum tempo solteira.

Para muitas mulheres a liberdade custa muito além de enfrentar o mundo que aí está – custa enfrentarem a si mesmas. Depois de uma vida inteira aprendendo que ser submissa não é apenas correto, mas também é bom, como digerir o contrário? Portanto, cabe a nós, mulheres livres, a sororidade de compreendermos essas mulheres. O machismo é mesmo algo tão enraizado que já se tornou aparentemente natural.

Portanto, para ensinar essas mulheres a voar é preciso primeiro ajudá-las a enxergar. E acreditem, não é fácil. Mas é preciso paciência, compreensão e empatia. Tenho visto muitas de nós entrando em guerra com outras mulheres porque estas ainda têm dificuldade para entender o que realmente significa ser dona de si mesma e o quão libertador isso é. Porém, depois de descoberta, a liberdade pode levar cada uma aonde quiser.

Que cada mulher consiga se desprender do conceito de ser metade, que se descubra inteira de verdade. Que cada mulher perceba em si as asas que a conduzirão ao mundo das possibilidades. Não mais prisioneiras de ninguém, que se libertem de si mesmas e de seus antigos conceitos. Que percebam a sua beleza e intensidade. Eu peço ao universo por todas as mulheres e pela sua liberdade.

 

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Bia Lopes Bia Lopes é publicitária com 9 anos de atuação como coordenadora de marketing em assessoria de comunicação. Cordelista, publicou a trilogia Ana Lísias em Cordel, obra dedicada ao público feminino. Também formada em Gestão de Recursos Humanos e trabalha com desenvolvimento humano por meio de palestras, minicursos e capacitações. Ativista da causa animal e apaixonada pela vida. Nas horas vagas, gosta de observar o mundo e descreve-lo neste blog.
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